Foram nove longos e difíceis meses até o dia em que eu me tornaria um Norseman!

Foram nove longos e difíceis meses até o dia em que eu me tornaria um Norseman!

Por Fernando Sesto

Os treinos, apesar de duros, não foram difíceis de concluir. Na verdade, só precisei cumprir o que WT mandou.

Mas as dificuldades que eu e Alê passamos nos últimos meses, as porradas que tomamos, as mudanças em nossas vidas e as duas lesões no mesmo joelho dois meses antes da prova, isso sim deram o tom do que a gente passaria lá fora naquelas 14horas e 21mins, em uma verdadeira montanha russa de emoções.

Dessa vez, os amigos e a família já sabiam o que era um Ironman, e talvez, por isso, achavam ter a certeza de que eu de fato tinha enlouquecido. Ficavam me perguntado o por quê de fazer o Norseman. Mas eu tinha o apoio da minha mulher e a aprovação e a confiança do meu técnico. Então, por quê não se é lá fora que eu me sinto bem?

A evolução nos treinos e nova mudança no corpo foram visíveis e eu ficava cada vez mais confiante. Mas a nota de corte, a tal da Black Shirt, essa sim tirava o meu sono. Quantas contas eu fiz, quantas comparações com os tempos de outros atletas nos anos anteriores e quantas perguntas eu mandei pro WT, perdi as contas.

A natação na água gelada não me intimidava, e eu sabia que bem equipado daria conta do recado. Além disso, fiz treinos nas cachoeiras geladas de Mauá, que me deixaram tranquilo sobre a minha capacidade de superar a natação. Como esperei por aquele pulo! E que pulo! Minha melhor natação da vida.

O ciclismo foi duro, frio e molhado, como esperado. Mas o WT e o Robinho fizeram um bom trabalho, e, na verdade, sem dores pude aproveitar muito o percurso, dividindo meu tempo em alimentação, hidratação, encontros com meu suporte e apreciação do visual. O nome do jogo é ritmo!

Pronto para correr e o fantasma das lesões não saía da cabeça. Quando o joelho reclamou já estava no km20 e tive a certeza que não perderia mais aquela nota de corte por nada. Flávia, obrigado.

Uma longa caminhada combinada com trotes eventuais de 17kms levou a mim e ao meu suporte por momentos de alegria e dor, em meio a um cenário simplesmente espetacular, culminando com os mais difíceis 5kms da minha vida.

Aquela montanha foi a mais perfeita representação do que passamos nos últimos meses. Dificuldades, dores e superações.

Vou para sempre me emocionar ao lembrar daqueles últimos metros, da chegada e da crise de emoção que tomou conta de mim e do meu suporte no topo daquela montanha.

Essa prova não tem festa, não tem caixa de som, não tem medalha nem massagem. É a representação da mais pura e simples definição de triathlon endurance. Apenas o staff da prova e seu suporte para ter receber.

Assim que cruzamos a linha, pedi para Alice ligar pro Walter no FaceTime.

Ele já atende chorando e ficamos todos alguns segundos em silêncio, até saírem as primeiras palavras: “Coach, essa foi foda. Anota um Norseman Black Shirt no currículo aí”. E eu ouço as melhores palavras de todas: “Você é grande!”

Não tenho palavras para agradecer o que meu suporte passou para chegar até lá e o trabalho deles antes e durante a prova. Torcendo, incentivando e provendo tudo o que eu precisasse. Se eu tivesse pedido cheeseburguer com milkshake, eles teriam arrumado.

Impressionante como o WT, sem nunca ter tido um atleta nessa prova, conseguiu fazer com que eu não só atingisse o nosso objetivo, como superasse e muito a meta.

Impressionante a capacidade dos profissionais da nossa assessoria e dos que me acompanharam no dia-a-dia, Flávia, Robinho e Paola.

Perguntas, dúvidas, incertezas, reclamações foram devidamente respondidas e resolvidas por eles.

Impressionante o apoio da minha família, amigos de treino e da vida, nesses últimos dias e durante a prova. Simplesmente sem palavras.

Agradecimentos especiais, por fim, aos meus parceiros de treino da Zona Sul, da Barra e do Canadá, dos novos aos antigos. Sem vocês, seria muito mais difícil.

Alê, estamos juntos hoje, amanhã e depois. Alice e Lauro, o que vocês fizeram, com o nível que fizeram, foi de outro mundo.

What’s next, Coach?